A Gaveta Onde Guardei Seu Cheiro
Há objetos que não são objetos. São portais. Uma camisa dobrada numa gaveta escura. Um perfume que já não existe mais. E você, abrindo aquela gaveta como quem abre uma ferida.
A memória tem cheiro. Tem textura. Tem a temperatura exata de uma noite de outono que você não consegue mais datar. Não sabe se foi 2019 ou 2021. Sabe apenas que doía de um jeito que hoje você chamaria de saudade.
Eu guardei sua camiseta não porque ainda sinto falta, mas porque algumas lembranças precisam de um lugar físico. Senão elas vagueiam pela casa inteira. Aparecem no meio do café da manhã. Na hora de dormir. No canto do olho quando alguém passa vestindo uma cor parecida.
“Este texto continua...”
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