A Última Vez Que Fui Feliz Sem Saber
Tem momentos que só reconhecemos como felicidade depois que passam. Como quem só sente falta do ar quando está debaixo d'água. A gente não sabe que está bem até que não está mais.
Eu lembro de uma tarde de domingo. Não sei o ano. Não sei o mês. Sei que era outono, porque havia folhas secas na calçada. Sei que era domingo, porque não havia pressa. E se havia pressa, ela não era minha.
Eu estava sentado numa cadeira de plástico na varanda da casa dos meus avós. Minha avó fazia café. Meu avó liu o jornal com os óculos na ponta do nariz. O sol entrava pela fresta da porta e fazia uma faixa de luz no chão de cimento. E eu existia. Simplesmente existia. Sem produzir nada. Sem provar nada. Sem ser nada além de um neto sentado numa cadeira de plástico.
“Este texto continua...”
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