Tentando Me Encaixar em Lugares Que Não Foram Feitos Para Mim
A adolescência é uma série de portas que você bate para descobrir que não abrem. Festas onde ninguém percebe que você sumiu. Conversas onde você sorri e conta piadas para disfarçar que está morrendo por dentro.
E ninguém nota. Ninguém nunca nota. Porque o mundo foi construído para quem se encaixa. E você, desde sempre, foi um quebra-cabeça com peças de conjuntos diferentes. Tentando montar uma imagem que faça sentido.
Eu tentei ser mais alto. Mais engraçado. Mais interessante. Mais disponível. Mais tudo. Até que um dia, exausto de tanto ser mais, eu descobri que podia ser menos. E que menos, na verdade, era o bastante.
O problema de tentar se encaixar é que você vai parando de notar as bordas que te cortam. As partes de você que não cabem e que você vai dobrando, amassando, escondendo. Até que um dia você abre a gaveta e não reconhece mais nada que está lá dentro.
Hoje eu entendo que não era eu que estava errado. Era o lugar. E que 'não pertencer' não é um defeito. É um sinal. Um aviso de que seu lugar está em outro lugar. E que, enquanto você não chegar lá, vai doer. Vai doer muito.
Mas chega. E quando chega, você olha para trás e entende: toda porta fechada foi um redirecionamento. Toda festa onde você se sentiu só foi um 'não é aqui'. E todo 'não encaixo' foi, na verdade, um 'ainda não'.
